quarta-feira, 4 de novembro de 2009

E mais uma temporada que acabou

A temporada de 2009 da Fórmula 1 será muito lembrada daqui alguns anos. Muitas vezes vemos a história passar diante dos nossos olhos, mas só quando passa algum tempo que percebemos realmente a importância daquele momento.

Vamos lembrar das mudanças no design dos carros, que previa um aumento de ultrapassagens, e do surgimento da Brawn GP, equipe montada com dinheiro da Honda, gerida por Ross Brawn e que surpreendeu o mundo da velocidade com o seu ótimo desempenho. Claro, muito graças à liberação do difusor duplo, que deu um ganho considerável para os carros brancos. Os debutantes venceram o GP da Austrália, com direito a dobradinha de Button (que venceria mais cinco corridas e seria o campeão) e Barrichello.

A Red Bull também foi muito bem. Foi sem dúvida o melhor carro da temporada e teria nadado de braçada se a Brawn não tivesse a vantagem do difusor na primeira metade da competição.

Ferrari e McLaren decepcionaram, especialmente os italianos, que não souberam substituir com qualidade Felipe Massa após o acidente com a “mola voadora” nos treinos do GP da Hungria. Já a equipe inglesa mostrou um bom poder de reação, vencendo duas corridas com Lewis Hamilton, ambas em circuitos travados (Hungaroring e Cingapura).

Mas não foram só coisas boas que aconteceram neste ano. Primeiro, tivemos as mentiras de Hamilton para os comissários após o GP da Austrália, o que rendeu a retirada de Ron Dennis da F1. Depois, a briga FIA x Fota, que eclodiu após um conflito de interesses entre a entidade máxima do automobilismo e as equipes. O embate quase dividiu a categoria em duas por causa da proposta do teto orçamentário, que limitava o dinheiro que as escuderias usariam em uma temporada inteira, algo incompatível com os altos orçamentos utilizados atualmente. Mas o pior ainda estava por vir.

Em setembro, após ser demitido da Renault, Nelsinho Piquet fez uma grave denúncia que abalou as estruturas do circo da F1. Ele admitiu que bateu no muro de propósito no GP de Cingapura do ano passado, com o intuito de ajudar o espanhol Fernando Alonso, seu companheiro de equipe , a vencer aquela corrida. O resultado foi o banimento do esporte de Flavio Briatore, dono da equipe francesa, e do diretor técnico Pat Symonds.

Alonso, que disse não saber de nada, não foi atingido pelo escândalo e a Renault recebeu uma punição com sursis, ou seja, só será banida da F1 se voltar a fazer algo igual até 2011. Apesar de continuar na categoria, ela perdeu seus principais patrocinadores e dificilmente será competitiva no ano que vem.

Para 2010 já teremos mudanças. O reabastecimento fica proibido, o que vai alterar a elaboração dos carros para a próxima temporada. Sem falar das quatro equipes que estreiam na categoria. São elas a Campos, que terá Bruno Senna como um de seus pilotos, a USF1, a Manor e a Lotus, que não tem nada a ver com a mítica escuderia de Colin Chapman.

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